Pesquisadores da Universidade de São Paulo estão mobilizando a população para ajudar na preservação da coruja-buraqueira (Athene cunicularia), espécie que sofre com o avanço da urbanização no Brasil. A iniciativa acontece em Ribeirão Preto e busca alertar sobre os riscos que a expansão urbana traz para a sobrevivência dessas aves.

Coruja-buraqueira (Speotyto cunicularia) no Parque da Cidade, em Brasília / Foto: José Cruz/Agência Brasil ©
O projeto é conduzido pelo Laboratório de Etologia e Bioacústica (Ebac), ligado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto. Além disso, os pesquisadores incentivam a participação popular por meio de um formulário online, no qual moradores podem informar a localização de ninhos e ajudar no monitoramento da espécie.
Urbanização ameaça a espécie
Primeiramente, o crescimento das cidades tem impactado diretamente o habitat da coruja-buraqueira. Obras e construções frequentemente destroem ninhos, muitas vezes sem que as pessoas percebam.
Além disso, a urbanização reduz áreas abertas, que são essenciais para a alimentação e reprodução dessas aves. Como consequência, a população da espécie pode diminuir mesmo em locais onde ela ainda é vista com frequência.
Presença não significa segurança
Por outro lado, especialistas alertam para um ponto importante: ver corujas na cidade não significa que a espécie está segura.
Segundo os pesquisadores, a coruja-buraqueira é considerada sinantrópica, ou seja, consegue viver próxima aos humanos. Entretanto, essa adaptação pode criar uma falsa sensação de estabilidade populacional.
Assim, mesmo que a ave continue visível em áreas urbanas, ela pode estar enfrentando declínio silencioso devido à perda de habitat e à mortalidade crescente.
Mudanças no comportamento das corujas
Além disso, os cientistas observaram alterações no comportamento da espécie em ambientes urbanos. As corujas passam a:
- ficar mais expostas durante o dia
- usar estruturas artificiais como postes
- aumentar a vigilância fora dos ninhos
Essas mudanças acontecem por causa da chamada plasticidade fenotípica, que permite adaptações ao ambiente. Porém, essa capacidade tem limites e não impede totalmente os impactos negativos da urbanização.
Participação da população é essencial
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem que a participação da população é fundamental para proteger a espécie.
Por exemplo, moradores podem evitar interferir em áreas com ninhos, além de informar a presença das aves para os cientistas. Dessa forma, o monitoramento se torna mais eficiente e ajuda na criação de estratégias de conservação.
Por que a coruja-buraqueira é importante
A coruja-buraqueira desempenha um papel essencial no equilíbrio ambiental. Ela se alimenta principalmente de insetos e pequenos roedores, ajudando no controle de pragas urbanas.
Portanto, proteger essa espécie não é apenas uma questão ambiental, mas também uma forma de manter o equilíbrio dos ecossistemas nas cidades.
Fonte: USP
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