Japão tem quase 100 mil pessoas com 100 anos

O país onde soprar 100 velinhas virou “normal”

Imagina viver em um lugar onde chegar aos 100 anos não é exceção, é tendência. Pois é o caso do Japão: em 2025, o país registrou 99.763 centenários, pelo 55º ano seguido batendo recorde. E tem um detalhe que chama ainda mais atenção: cerca de 88% são mulheres. Esses números foram divulgados às vésperas do Dia do Idoso, feriado que celebra a longevidade e a contribuição social dos mais velhos.

Entre os rostos dessa estatística está Shigeko Kagawa, 114 anos, hoje a pessoa mais velha do Japão. Ela ficou famosa ao carregar a tocha olímpica aos 109, em 2021, e credita a longevidade a rotina regradinha: dormir e acordar nos mesmos horários e fazer refeições pequenas e equilibradas.

Foto: Internet

O que elas comem e o que não comem

Se você pensou em comida, está no caminho certo. O Japão exibe uma das menores prevalências de obesidade do mundo, com índices muito baixos especialmente entre mulheres. Há toda uma cultura alimentar de porções contidas, alta ingestão de peixes, legumes, verduras e alimentos fermentados e menor consumo de carne vermelha e ultraprocessados. Resultado? Menos pressão alta e menos doenças cardiovasculares e mais anos de vida com qualidade.

Não é “dieta milagrosa”, é consistência. Décadas de campanhas de saúde pública ajudaram a população a reduzir sal e açúcar, e políticas locais somaram esforços por cidades caminháveis, com trânsito mais amigável aos pedestres e transporte público onipresente. O efeito soma-se à genética e aos check-ups frequentes: uma espécie de “maratona de pequenas boas escolhas” que se corre ao longo da vida.

E não é só o prato: é o passo

Outro ingrediente da longevidade japonesa é o movimento. E não precisa de academia parruda: os mais velhos caminham mais, usam transporte público e praticam rotinas curtinhas como o famoso rádio-taisô (ginástica transmitida em rede nacional desde 1928!). É um ritual comunitário de poucos minutos que, somado, vira um “poupança de saúde” ao longo das décadas.

As pessoas no Japão tendem a ter dietas mais saudáveis, menor prevalência de doenças comuns e uma cultura de exercícios em grupo.

O caso especial de Okinawa

Se há um “laboratório vivo” da longevidade feminina, ele se chama Okinawa. Lá, o Okinawa Centenarian Study acompanha centenários desde 1975, o estudo contínuo mais longevo do mundo nesse tema. Resultado? Um retrato detalhado de hábitos, dieta tradicional (nuchi gusui, a comida como “remédio”) e redes sociais fortes, especialmente entre mulheres, que sustentam alta autonomia na velhice. Mais de 3 mil participantes já foram analisados ao longo de cinco décadas.

Pesquisas ligadas ao grupo mostram menor incidência de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer em comparação ao Ocidente. O segredo não é uma única prática, mas um pacote de fatores: comer até ficar 80% satisfeito (hara hachi bu), convívio social ativo, propósito de vida e rotina fisicamente leve, porém constante.

Por que tantas mulheres?

Mulheres vivem mais no mundo todo, mas no Japão essa diferença é ainda mais nítida. Há hipóteses complementares: menor tabagismo feminino histórico, padrões alimentares mais saudáveis entre elas, maior adesão às rotinas de cuidado preventivo e redes sociais de apoio (amigas, vizinhas, grupos de bairro). Some-se a isso o baixo índice de obesidade feminina no país e a conta começa a fechar.

Tradição que vira política pública

O respeito institucionalizado aos idosos também pesa. O Dia do Idoso (terceira segunda-feira de setembro) virou oportunidade para o governo publicar dados, parabenizar oficialmente os novos centenários com cartas e lembranças e pautar políticas de envelhecimento saudável. O feriado nasceu no pós-guerra, em um vilarejo de Hyōgo, como festa comunitária e ganhou o país.

Mas há ressalvas (e elas são importantes)

Nem tudo são números perfeitos. O próprio governo japonês já enfrentou falhas de registro no passado, quando mortes antigas ficaram sem baixa e inflaram a contagem de centenários. Hoje, o método se apoia no resident registry (cadastro de residentes) e vem sendo aperfeiçoado, ainda assim, organismos internacionais lembram: toda estatística de longevidade depende de registro civil robusto e auditável. É bom manter o ceticismo saudável ao comparar países.

O paradoxo da longevidade: viver mais… com menos bebês

O Japão envelhece rápido e a natalidade segue baixa. É o famoso “paradoxo da vitória”: quanto mais a medicina prolonga a vida (ainda bem), mais desafiador fica sustentar previdência, cuidar de crônicos e manter a economia girando com uma força de trabalho menor. Não à toa, políticas recentes investem em cuidado domiciliar, cidades “amigas do idoso” e tecnologia assistiva para garantir autonomia e não só longevidade.

Qual é a senha da longevidade japonesa?

Não tem pílula mágica, tem constância. A história que o Japão conta, sobretudo a de suas mulheres, é feita de pequenas escolhas repetidas por décadas: prato colorido, passo diário, check-up em dia, cochicho no portão com a amiga, três minutos de ginástica na TV. Parece pouco? Some 36.500 dias disso e você entende por que soprar 100 velinhas por lá já não é surpresa. E, convenhamos, essa é uma moda que a gente adoraria ver pegando por aqui também.

Esse conteúdo Japão tem quase 100 mil pessoas com 100 anos foi criado pelo site Fatos Desconhecidos.

Post Original: https://www.fatosdesconhecidos.com.br/japao-tem-quase-100-mil-pessoas-com-100-anos/

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Ricardo

Ricardo é o explorador digital do blog “Além da Notícia”, focado em traduzir o complexo universo da tecnologia, ciência e tendências digitais para o público. Com um olhar curioso, ele desmistifica conceitos de inteligência artificial e inovações, mostrando como a tecnologia é uma parte divertida e transformadora do nosso dia a dia. Para ele, cada avanço tecnológico é uma nova história a ser contada.