Sistema oceânico essencial para o clima europeu
Um estudo internacional publicado na revista científica Environmental Research Letters alerta para o risco de colapso da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (Amoc), sistema de correntes oceânicas responsável por regular o clima do hemisfério norte. A Amoc inclui a Corrente do Golfo, que transporta grandes volumes de calor dos trópicos para o Atlântico Norte, mantendo o clima da Europa Ocidental mais ameno.
De acordo com os pesquisadores, se as emissões de gases do efeito estufa continuarem elevadas, o sistema pode atingir um ponto de inflexão já nas próximas décadas, com possibilidade de colapso completo após o ano de 2100. Esse cenário abriria caminho para uma mudança climática abrupta no continente europeu.
Invernos extremos e avanço da desertificação
As simulações indicam que um eventual colapso da Amoc provocaria quedas acentuadas de temperatura no noroeste da Europa, com registros que poderiam chegar a até 30 °C negativos em regiões como Escócia e norte do continente. Ao mesmo tempo, a redução do transporte de calor e umidade resultaria em verões mais secos, favorecendo processos de desertificação em áreas do sul europeu. Além do impacto direto nas temperaturas, o enfraquecimento da corrente alteraria padrões de precipitação em escala global, afetando também regiões da África e da América do Sul, segundo os autores do estudo.
Aquecimento global enfraquece a circulação
O estudo explica que o aquecimento dos oceanos dificulta a mistura entre águas superficiais e profundas. Com temperaturas mais altas, a água do Atlântico Norte torna-se menos densa e perde a capacidade de afundar, comprometendo o funcionamento da “esteira transportadora” de calor que caracteriza a Amoc. As análises foram feitas com base em 38 modelos climáticos diferentes, incluindo aqueles utilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Em todos os cenários de altas emissões, os modelos apontaram um enfraquecimento progressivo da circulação oceânica.
Derretimento do gelo pode agravar o cenário
Os cientistas alertam que o derretimento acelerado do gelo da Groenlândia pode tornar a situação ainda mais crítica. O aumento de água doce no Atlântico Norte reduz a salinidade e a densidade da água, o que dificulta ainda mais o afundamento das correntes e acelera o risco de colapso. Esse fator não foi totalmente incorporado às simulações, o que indica que os impactos reais podem ser mais severos do que os estimados. Diante desse cenário, os pesquisadores reforçam que a redução rápida das emissões de gases do efeito estufa é essencial para diminuir o risco de uma mudança climática extrema e de longo prazo.
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