A praga de coelhos que nunca acaba na Austrália

Um presente inocente que virou pesadelo

Imagina só ganhar de presente 24 coelhinhos fofinhos no Natal? Foi exatamente isso que aconteceu em 1859, quando o fazendeiro inglês Thomas Austin recebeu um carregamento vindo da Inglaterra. A ideia era simples: soltar os animais na sua fazenda em Victoria para caçadas ocasionais. Mas ninguém poderia prever o estrago que isso causaria.

Em apenas três anos, os coelhos já se multiplicavam aos milhares. Em 1865, o próprio Austin se gabava de ter abatido mais de 20 mil em sua propriedade. O que começou como passatempo logo virou um desastre ecológico sem precedentes.

A maior invasão animal da história

Ao longo de 50 anos, os coelhos se espalharam por uma área 13 vezes maior que a de sua região nativa na Europa. Cientistas da Universidade de Cambridge confirmaram que a infestação atual tem origem direta naquela leva inicial, que se reproduziu sem freios graças a três fatores: pastos abertos, ausência de predadores e proteção dada pelos colonos ao gado.

Resultado? A praga se tornou um dos maiores problemas ambientais da Austrália, superando até a introdução de gatos e porcos selvagens.

De 1859 a 2025: um problema sem fim

Se você acha que isso ficou no passado, engano seu. Mais de 160 anos depois, os coelhos continuam atormentando fazendeiros e autoridades australianas. Em 2025, a ABC News relatou que a população de coelhos aumentou dez vezes em Adelaide Hills, destruindo jardins e plantações inteiras.

Em Canberra, o governo precisou contratar atiradores profissionais para patrulhar parques e abater os animais. Enquanto isso, no sudeste de Melbourne, conselhos municipais já falam em “infestação descontrolada” que ameaça até espaços esportivos comunitários.

Ciência vs. coelhos: quem vai vencer?

Durante décadas, cientistas tentaram controlar a praga com vírus, como o mixoma e o calicivírus. Eles funcionaram por um tempo, mas os coelhos desenvolveram resistência. Em abril de 2025, o Invasive Species Council pediu investimento urgente de 15 milhões de dólares em novas pesquisas de biocontrole. Segundo eles, sem uma estratégia moderna, a Austrália corre o risco de ver os coelhos vencerem novamente essa batalha.

Uma tempestade perfeita

O geneticista Joel Alves, coautor de um estudo publicado na revista Science, resumiu bem a situação: “foi como uma tempestade perfeita”. Pastos abundantes, ausência de predadores e cruzamentos entre coelhos domésticos e selvagens criaram um cenário imbatível para a espécie.

Hoje, estima-se que a Austrália tenha centenas de milhões de coelhos espalhados pelo território, causando prejuízos de mais de 200 milhões de dólares por ano à agricultura.

O coelho que conquistou um continente

De presentes de Natal a inimigos nacionais, os coelhos se tornaram uma das histórias mais bizarras da colonização moderna. E o mais impressionante: mesmo com cercas quilométricas, vírus e exércitos de caçadores, a Austrália ainda não encontrou uma solução definitiva.

Será que o futuro trará a “arma final” contra os coelhos? Ou eles continuarão reinando como os verdadeiros conquistadores do “outback”? Uma coisa é certa: essa é a prova de que até um animal fofo pode virar um pesadelo quando está fora do lugar certo.

Esse conteúdo A praga de coelhos que nunca acaba na Austrália foi criado pelo site Fatos Desconhecidos.

Post Original: https://www.fatosdesconhecidos.com.br/a-praga-de-coelhos-que-nunca-acaba-na-australia/

Compartilhe esse conteúdo em suas redes sociais

Ricardo

Ricardo é o explorador digital do blog “Além da Notícia”, focado em traduzir o complexo universo da tecnologia, ciência e tendências digitais para o público. Com um olhar curioso, ele desmistifica conceitos de inteligência artificial e inovações, mostrando como a tecnologia é uma parte divertida e transformadora do nosso dia a dia. Para ele, cada avanço tecnológico é uma nova história a ser contada.